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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Panela do Diabo - Pedro Bandeira

Querid@s,

Mais uma vez o Orlando do G3 nos presenteia com um texto falando da "gente simples". Desta vez foi o texto "Panela do Diabo", publicado no livro "Malasaventuras, safadezas do Pedro Malasartes" do Pedro Bandeira.


"Lá na vila apareceu
o safado Zé Trabuco
Que encontrando dois tropeiros
Propôs logo jogar truco.


Zé trabuco era danado,
era o mestre das mentiras.
Trapaceou tanto no jogo
que enganou os dois caipiras


Dos tropeiros, enganados,
foi-se todo seu dinheiro,
pois até dezoito mulas
carregou o trapaceiro.


Malasartes foi à vila
pra comprar fumo de rolo.
Encontrou os dois tropeiros
Em um grande desconsolo.


- Pedro amigo, nos ajude!
Veja só o que aconteceu:
num joguinho, o Zé Trabuco
com trapaça nos venceu.
Zé Trabuco jogou sujo
e o dinheiro ele ganhou.
Enganando todos nós,
até as mulas nos levou!


Pedro foi até a venda
pra fazer uma comprinha.
Quis feijão, cebola e sal,
além de uma panelinha.


Foi pra beira da estrada
esperar o trapaceiro.
Temperou bem o feijão
e acendeu um bom braseiro


Quando ouviu tropel de mulas,
Pedro o plano começou.
Pôs no chão a panelinha
e o braseiro ele apagou


Agachou-se ali do lado
bem por onde o outro vinha
e ficou muito quieto
vigiando a panelinha.


Com as mulas, pela estrada,
Zè Trabuco foi chegando
e de longe percebeu
a panela fumegando.


Surpreendido, achou que aquilo
com certeza estava errado,
e chegando perto
foi falando debochado


- Ô caipira, o que é que é isso?
É burrice ou é um jogo?
Como pode cozinhar
na panela sem o fogo?


Malasartes nem ligou
pro deboche do safado.
Remexeu a panelinha
e cuspiu para o outro lado:


- Não sou bobo, meu amigo,
desse fato a mim eu gabo.
A vasilha onde eu cozinho
é a panela do diabo!


Eu ganhei esta panela
e isso foi mais do que sorte,
de um notável feiticeiro
a quem eu salvei da morte.
A panela é infernal,
das vasilhas é a rainha,
pois é só pedir a ela
e sem fogo ela cozinha!


Meu feijão está quase pronto
e é hora do jantar.
Se o amigo não se ofende
poderia então provar?


Pra falar toda a verdade,
eu tempero muito mal.
O que acha meu amigo,
não estará faltando sal?


Zé Trabuco se abaixou,
foi provar da panelinha.
Descobriu que estava cheia
e que estava bem quentinha.


- Nada falta, está no ponto!
espantou-se Zé Trabuco.
- Essa mágica é tão grande
que vai me deixar maluco.
Um milagre tal qual esse
eu desejaria ter.
O que acha, meu amigo,
de a panela me vender?


Zé Trabuco ofereceu
o dinheiro que trazia,
mas o Pedro Malasartes
achou que era ninharia:


- Sua oferta, meu compadre,
poderia se rmelhor,
pois eu acho que o valor
da panela é bem maior.
A panela é raridade,
não se encontra em todo lado,
Se essas mulas incluir,
o negócio está fechado.


Zé Trabuco lá pensou:
outras mulas e dinheiro
haveria de ganhar
de qualquer tolo roceiro.


No entanto, ele pensava
que magia igual àquela
nunca mais iria achar
a não ser a tal panela.


A bendita da panela,
com qualquer caldinho ralo,
a enganar a toda gente
haveria de ajudá-lo.


- Mas é claro que eu aceito!
Leve logo tudo embora,
Eu só quero essa panela
para mim sem mais demora!


Malasartes foi embora
feliz com a esparrela
e deixou o Zé Trabuco
a sorrir para a panela.


O idiota do Trabuco,
muito tempo ele esperou,
mas dali para diante
a panela só esfriou! "



Este personagem que inspirou Pedro Bandeira, também inspirou Mazzaropi no filme "As aventuras de Pedro Malazartes", filmado nos estúdios da Vera Cruz, em Itú, no interior de São Paulo.

Segue o trailer do filme e ficha técnica.


Abraços fraternos,
Giba

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Continho

Querid@s,


Segue o texto sugerido pelo Orlando, do G3:


CONTINHO

          ERA  UMA  VEZ  UM  MENINO  TRISTE,  MAGRO  E  BARRIGUDINHO,  DO  SERTÃO  DE  PERNAMBUCO.  NA  SOALHEIRA  DANADA  DE  MEIO-DIA,  ELE  ESTAVA  SENTADO  NA  POEIRA  DO  CAMINHO,  IMAGINANDO  BOBAGEM,  QUANDO  PASSOU  UM  GORDO  VIGÁRIO  A  CAVALO:
          - VOCÊ  AÍ,  MENINO,  PARA  ONDE  VAI  ESSA  ESTRADA?
          -  ELA  NÃO  VAI  NÃO:  NÓS  É  QUE  VAMOS  NELA.
          -  ENGRAÇADINHO  DUMA  FIGA!  COMO  SE  CHAMA?
          -  EU  NÃO  ME  CHAMO  NÃO,  OS  OUTROS  É  QUE  ME  CHAMAM  DE  ZÉ.

(  PAULO  MENDES  CAMPOS  )

Abraços fraternos,
Giba